Como parte da comunicação empresarial, a assessoria de imprensa é uma atividade que vem sendo feita por jornalistas. Por muito tempo os profissionais de relações públicas também fizeram este trabalho, mas o que percebo no mercado é que os jornalistas diplomados são mais procurados para exercer a função de assessor. O Código de ética da profissão de jornalismo também apresenta entre as atividades a assessoria de imprensa. No Brasil os primeiros passos do que mais tarde se tornaria a atividade de assessoria foi dado com a criação do informativo “Secção de publicações e biblioteca”, durante a gestão do presidente Nilo Peçanha em 1909. Durante a ditadura e governo de Getúlio Vargas e o posterior, de Emiilio Médici, trouxeram a tona o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) e a Assessoria Especial de Reações Públicas (Aerp), que tinham como objetivo de impor aos meios de comunicação press releases oficiais.
A preferência por jornalistas assessores de imprensa é pelo perfil e dinâmica de trabalho. No processo o jornalista se comunica com outros jornalistas. As formas de linguagem e texto convergem e por isso que os jornalistas são maioria neste setor. Assessores de uma empresa, uma organização não governamental (ONG) ou de um político por exemplo constroem uma comunicação com a sociedade. Como o jornalismo tem a função de informar assuntos que competem a população, o profissional que trabalha na assessoria também desenvolve este trabalho. Segundo a jornalista Márcia Prestes, que conhece os dois lados, o do editor nas redações de jornais e a assessoria, o profissional que trabalha como assessor precisa ter três características: agilidade, credibilidade e criatividade, além de estabelecer relacionamento com a mídia.
“É preciso puxar um gancho jornalístico nos releases que são encaminhados para a imprensa, pensar como o editor, o jornalista que está na redação”, afirma Márcia. Para ela o conhecimento sobre o que é notícia e o que importa realmente a sociedade traz o sucesso do assessor de imprensa. É preciso colocar a informação de forma atraente e que diferencie um produto ou serviço para a imprensa selecionar o assunto nas reuniões de pautas. “É bom vivenciar os dois lados para entender exatamente o que o jornalista espera do assessor de imprensa”, complementou.
Para atender bem a atingir os objetivos do cliente o assessor também deve ter um diagnóstico preliminar sobre o que é o assessorado, realizar reuniões para ouvir o cliente e fazer um diagnóstico da imagem do cliente na mídia. Após visualizar as necessidades, ele deve estar atento, prevendo acontecimentos e quadros futuros em relação a empresa e sua imagem perante os stakeholders. Os press kit também vão fazer parte do dia-a-dia das agências de comunicação e assesssores. É uma pasta em que são arquivados todos os dados e informações sobre o assessorado. Pode funcionar como um arquivo ou material de apoio para a imprensa. O jornalista pode também fazer o follow up, ou seja, obter o retorno, por meio de contato direto com as redações, sobre o recebimento e interesse do assunto sobre os press releases encaminhados.
É preciso ficar atento sobre a dinâmica de fechamento dos jornais e evitar entrar em contato com os veículos de comunicação nesses horários. É importante ter todos os dados dos meios de comunicação e um mailing list (lista com nome completo, cargo, editoria, número de telefone, e-mail e endereço) deve ser atualizado sempre que possível. Os assessores de imprensa também são responsáveis pelo media training, um treinamento especifico oferecido para preparar o cliente, orientá-lo quando estiver em contato direto com a mídia. Para mostrar os resultados o jornalista arquiva todas as informações que saíram sobre o seu assessorado em um clipping. Atualmente existem empresas especializadas nesse setor e elas diariamente enviam um relatório de imprensa para o assessor. Além dessas atividades o profissional também irá realizar as entrevistas coletivas e criar espaços entre a empresa e a comunidade.
Maristela Mafei afirma em seu livro “Assessoria de imprensa, como se relacionar com a mídia”, que o assessor de imprensa precisa ter um “tino” de repórter dentro da organização em que vai trabalhar. É por isso que os assessores de imprensa, jornalistas, também dispõem e praticam da mesma ética profissional. Ambos precisam existir para estabelecer uma esfera completa de informações para a sociedade, que espera mais do que produtos e serviços das empresas. As pessoas também querem saber o que a organização faz para a sociedade e quais os valores que estão em seus alicerces.
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