sexta-feira, 28 de maio de 2010

O “telejornalismo” das organizações



Revelar a informação empresarial com práticas de jornalismo vem sendo uma estratégia muito adotada nas empresas. Neste contexto, os profissionais de comunicação trabalham de forma integrada para atingir os vários públicos de uma organização. A comunicação, isto é, as formas de interações humanas, as informações e notícias podem chegar através de vários canais ou meios aos colaboradores de uma empresa. Além dos materiais de comunicação que já conhecemos e falamos por aqui (comunicação institucional e comunicação mercadológica ou endomarketing e comunicação administrativa) os jornalistas dispõem de mais uma ferramenta: a televisão coorporativa.

O uso dessa ferramenta da comunicação empresarial está relacionado com novas formas de entretenimento e tecnologia possíveis na realidade atual. Na maioria dos casos as televisões coorporativas estão disponíveis por meio do ambiente virtual (internet ou intranet). Mas ela pode estar presente em ambientes de convivência empresarial, locais em que os colaboradores se encontram e passam alguma parte do tempo de trabalho. Como se trata de uma ferramenta interativa e dinâmica, a televisão empresarial pode trazer resultados positivos no que diz respeito a comunicação estratégica e de negócios. Empresas que tem uma estrutura e contam com jornalistas para construir uma programação estão em vantagem no ambiente competitivo e estabelecem um contato direto com seus funcionários, fornecedores ou clientes.

A programação e ritmo das informações na televisão empresarial podem variar conforme o grau e necessidade de comunicação de cada organização. Ela pode ser utilizada de várias formas e trazer um pacote grande de estilos de programas. Entrevistas com colaboradores, conversas com o presidente, gerentes e coordenadores, apresentações de projetos ou novos procedimentos, comunicação da estratégia, informação, educação empresarial, notícias e divulgações diversas fazem parte da enorme possibilidade de explorar a tecnologia. E tem mais. A comunicação através de televisão empresarial pode auxiliar nos programas de desenvolvimento profissional. A TV permite que treinamentos específicos cheguem a todos os funcionários da organização e isso independe da distância, quando se trata de televisão coorporativa dentro de plataformas virtuais.

Na televisão cooportativa, o jornalista segue a mesma linha, estratégia e compromisso com a ética e veracidade das informações utilizadas em telejornalismo. O que diferencia é que as pautas serão direcionadas a um segmento da sociedade e não mais a todos as áreas. Ela se diferencia do telejornal que conhecemos mas se aproxima com programas jornalísticos que trazem a tona temas por categorias, como saúde, educação e cultura, por exemplo. Mesmo com essa limitação, o jornalista pode explorar temas que interessam o colaborador e ao mesmo tempo informa além das portas da organização. Tudo depende da empresa e das possibilidades de aberturas para explorar essa tecnologia.

Como toda programação, a TV corporativa necessita de uma dinâmica especial. Ela deve informar e ao mesmo tempo instigar o telespectador para o acompanhamento dos programas. E como fazer isso? É aí que os profissionais, comunicadores empresariais, precisam levar a criatividade e ao mesmo tempo informação de qualidade para os públicos estratégicos da organização. No artigo intitulado “TV Corporativa: uma nova perspectiva para a comunicação organizacional”, o professor mestre em comunicação pela Faculdade Cásper Líbero, Bruno Hingst, afirma que quando utilizada em momentos específicos a TV na empresa “permite a melhora no clima organizacional e ajuda a implementar e desenvolver mudanças nos diferentes processos, muitas vezes, condicionados a modelos e visões arraigados nas pessoas, que se tornam fortes obstáculos às mudanças organizacionais.”

E como sempre, uma dica que vale a pena conferir. Para saber mais sobre o mercado de comunicação empresarial, tendências e premiações na área acesse o site da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) – www.aberje.com.br.

domingo, 23 de maio de 2010

O Jornalista e a informação para dentro das organizações

As mudanças nas formas gerenciais e de administração de empresas na década de 80 trouxeram a valorização de pessoas nas organizações. A gestão participativa aliou técnica e humanização ao trabalho. Os colaboradores passaram a ser enxergados com olhos estratégicos pelos administradores e alta gerência organizacional. Afinal eles constituem o primeiro grande público das empresas. A partir deste momento a comunicação empresarial também é direcionada para o público interno.

O funcionário, como parte de uma organização, precisa saber a importância do lugar em que trabalha e das tarefas que desenvolve para entender o papel dentro da empresa. Ao mesmo tempo, precisa se sentir valorizado e compreender a missão e valores enraizados dentro da instituição em que trabalha. Nesse processo estratégico e de novidades as empresas estão investindo em ferramentas de comunicação interna. Fazem parte desta área os comunicadores empresarias (jornalistas, relações públicas e publicitários) e pessoas que trabalham com gestão de pessoas e recursos humanos. A comunicação dentro das organizações ajuda na obtenção dos resultados, condições de existência da empresa, sua direção e monitoramento e crescimento organizacional. Também tem o papel de ligar a organização a seus colaboradores e contribuir para a valorização do homem e da cidadania.

As ferramentas de comunicação interna podem ser revistas institucionais, boletins informativos, jornais murais e intranet. Existem ainda a comunicação de normas, procedimentos e manuais explicativos sobre os processos da empresa. Mas as novidades não param por aí. Estratégias de comunicação mercadológica (endomarketing) também fazem parte da área. Criação de campanhas internas e utilização de materiais e ambiente inovadores começaram a fazer parte do grande pacote da comunicação interna. Tudo isso para integrar, engajar e valorizar o colaborador.

Neste processo de informação para dentro da empresa, os jornalistas trabalham diretamente com a produção das revistas e boletins informativos. Como a comunicação vem sendo feita de forma integrada, ele auxilia os outros comunicadores na elaboração de campanhas e elaboração de estratégias, planos e políticas de comunicação empresarial. As notícias seguem o mesmo “lead”, com o qual já estamos acostumados. É uma tendência que as revistas internas tragam temas que vão além das estratégicas da organização. Os assuntos também tem que interessar a família do colaborador e ir além das portas da empresa. O jornalista comunicador empresarial precisa o tempo todo ficar atento as noticias da organização e da sociedade, aliando conteúdos e despertando interesse para assuntos mais gerais dentro dos materiais de comunicação interna.

Recém lançado, o livro “A comunicação como fator de humanização nas organizações”, de Margarida Kunsch, mestre em Comunicação Social pela USP e autora de diversos livros na área, deve chegar nas livrarias até o final de maio. Para quem se interessa sobre as novas tendências na área de comunicação de empresas, vale a pena conferir a obra. Até o nosso próximo encontro!

domingo, 16 de maio de 2010

O jornalista e a assessoria de imprensa

Como parte da comunicação empresarial, a assessoria de imprensa é uma atividade que vem sendo feita por jornalistas. Por muito tempo os profissionais de relações públicas também fizeram este trabalho, mas o que percebo no mercado é que os jornalistas diplomados são mais procurados para exercer a função de assessor. O Código de ética da profissão de jornalismo também apresenta entre as atividades a assessoria de imprensa. No Brasil os primeiros passos do que mais tarde se tornaria a atividade de assessoria foi dado com a criação do informativo “Secção de publicações e biblioteca”, durante a gestão do presidente Nilo Peçanha em 1909. Durante a ditadura e governo de Getúlio Vargas e o posterior, de Emiilio Médici, trouxeram a tona o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) e a Assessoria Especial de Reações Públicas (Aerp), que tinham como objetivo de impor aos meios de comunicação press releases oficiais.

A preferência por jornalistas assessores de imprensa é pelo perfil e dinâmica de trabalho. No processo o jornalista se comunica com outros jornalistas. As formas de linguagem e texto convergem e por isso que os jornalistas são maioria neste setor. Assessores de uma empresa, uma organização não governamental (ONG) ou de um político por exemplo constroem uma comunicação com a sociedade. Como o jornalismo tem a função de informar assuntos que competem a população, o profissional que trabalha na assessoria  também desenvolve este trabalho. Segundo a jornalista Márcia Prestes, que conhece os dois lados, o do editor nas redações de jornais e a assessoria, o profissional que trabalha como assessor precisa ter três características: agilidade, credibilidade e criatividade, além de estabelecer relacionamento com a mídia.

“É preciso puxar um gancho jornalístico nos releases que são encaminhados para a imprensa, pensar como o editor, o jornalista que está na redação”, afirma Márcia. Para ela o conhecimento sobre o que é notícia e o que importa realmente a sociedade traz o sucesso do assessor de imprensa. É preciso colocar a informação de forma atraente e que diferencie um produto ou serviço para a imprensa selecionar o assunto nas reuniões de pautas. “É bom vivenciar os dois lados para entender exatamente o que o jornalista espera do assessor de imprensa”, complementou.

Para atender bem a atingir os objetivos do cliente o assessor também deve ter um diagnóstico preliminar sobre o que é o assessorado, realizar reuniões para ouvir o cliente e fazer um diagnóstico da imagem do cliente na mídia. Após visualizar as necessidades, ele deve estar atento, prevendo acontecimentos e quadros futuros em relação a empresa e sua imagem perante os stakeholders. Os press kit também vão fazer parte do dia-a-dia das agências de comunicação e assesssores. É uma pasta em que são arquivados todos os dados e informações sobre o assessorado. Pode funcionar como um arquivo ou material de apoio para a imprensa. O jornalista pode também fazer o follow up, ou seja, obter o retorno, por meio de contato direto com as redações, sobre o recebimento e interesse do assunto sobre os press releases encaminhados.

É preciso ficar atento sobre a dinâmica de fechamento dos jornais e evitar entrar em contato com os veículos de comunicação nesses horários. É importante ter todos os dados dos meios de comunicação e um mailing list (lista com nome completo, cargo, editoria, número de telefone, e-mail e endereço) deve ser atualizado sempre que possível. Os assessores de imprensa também são responsáveis pelo media training, um treinamento especifico oferecido para preparar o cliente, orientá-lo quando estiver em contato direto com a mídia. Para mostrar os resultados o jornalista arquiva todas as informações que saíram sobre o seu assessorado em um clipping. Atualmente existem empresas especializadas nesse setor e elas diariamente enviam um relatório de imprensa para o assessor. Além dessas atividades o profissional também irá realizar as entrevistas coletivas e criar espaços entre a empresa e a comunidade.

Maristela Mafei afirma em seu livro “Assessoria de imprensa, como se relacionar com a mídia”, que o assessor de imprensa precisa ter um “tino” de repórter dentro da organização em que vai trabalhar. É por isso que os assessores de imprensa, jornalistas, também dispõem e praticam da mesma ética profissional. Ambos precisam existir para estabelecer uma esfera completa de informações para a sociedade, que espera mais do que produtos e serviços das empresas. As pessoas também querem saber o que a organização faz para a sociedade e quais os valores que estão em seus alicerces.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Perceba e Valorize, duas atitudes que podem mudar o mundo.

Profissionais e profissionais....

O que o mercado de trabalho quer de nós? Será que temos que ser apenas pessoas que resolvem problemas ou operacionalizam funções? E o que é o tal do sucesso na profissão? Estive lendo muito sobre o assunto nestes últimos meses. Conheci várias competências, como resiliência, diálogo, respeito, relacionamento inter e intrapessoal, entre outras tantas que lemos em livros, ouvimos falar e que para alguns ainda é um foco de utopia.

No ambiente de trabalho ainda parecem distante essas tantas qualidades, que misturam um pouco de valores pessoais com valores empresariais. Muitos profissionais apenas levam estas considerações de forma superficial. Dizem fazê-lo mas na prática não é isso que acontece. O dia-a-dia revela um desalinhamento entre atitude e pensamento. É neste ponto que entendo porque faltam profissionais qualificados para atuarem como verdadeiros líderes, seja gerenciando o seu trabalho ou de uma equipe.

Outro ponto importante é o sentimento de reconhecimento e valorização do outro. Ver e sentir as pessoas. Notá-las. Estar presente e perceber ao invés de apenas haver preocupação na entrega de resultados sem que se note o ambiente em que se trabalha. Algumas pessoas se preocupam tanto com o resultado do outro que tiram o foco do próprio trabalho e desempenho. É neste momento que nasce o sentimento do lado negativo de competitividade. É aí, quando essa meleca vira sinônimo de cobiça alheia. que pode prejudicar o andamento do trabalho de toda uma equipe e o próprio desempenho.

Eu acredito nas pessoas e nos bons profissionais que o mercado procura. É preciso excluir modelos mentais que dizem que temos que ser melhores do que os outros. Não é esse o direcionamento que devemos ter. Talvez o que esteja sendo procurado é um novo modelo de cooperação de trabalho, em que eu valorizo o outro e reconheço o momento que chega na história profissional de cada ser humano. Pessoas passam cerca de 8 horas por dia no trabalho. E misturar alegria, desempenho, companheirismo, valores humanos e resultados e metas que se pretende atingir, a qualidade de vida sobe lá em cima e o ambiente de trabalho fica mais leve e tranqüilo, porque as pessoas se valorizam.

Se eu pudesse dizer algo sobre o futuro dos profissionais seria em duas palavras: PERCEBA e VALORIZE. As pessoas possuem muito mais capacidades especiais e únicas do que podemos imaginar!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O JORNALISTA E A TAL DA COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL

Olá caro(a) leitor. Começo esta primeira coluna apresentado a área de comunicação empresarial e a função dos comunicadores nas organizações privadas ou públicas. Essa área vem crescendo muito e há grandes possibilidades de estágios e empregos para jornalistas neste setor. As instituições vêm se preocupando cada vez mais com a comunicação interna e externa e a sociedade tem exigido o compromisso social dessas organizações. Nas próximas colunas vou buscar detalhar as atividades, mostrando possibilidades e oportunidades neste ramo do mercado de trabalho.

As funções mais corriqueiras da profissão de jornalista abrangem os veículos de comunicação radiofônicos, televisivos, jornais e revistas impressas e eletrônicas. Mas além dessas áreas de atuação o jornalista dispõe de mais uma: é a chamada comunicação empresarial. Esta é uma das atividades com a qual será possível ter um encontro durante e após a vida acadêmica. E mesmo que não seja diretamente perceptível, estamos o tempo todo vendo a comunicação empresarial. E você vai notar o porquê. Assessores de imprensa de empresas privadas ou públicas estão em constante contato com os veículos de comunicação. As empresas também precisam se comunicar com a sociedade e mostrar os trabalhos que promovem o desenvolvimento social. Não é propaganda de graça, como dizem, mas são assuntos que interessam as pessoas e que permitem romper barreiras entre o setor empresarial e a sociedade. É um diálogo constante entre empresas e jornalistas, que são a ponte entre este setor e a sociedade. Muitas das matérias que vemos em jornalismo são pautadas por jornalistas, comunicadores empresariais, que dispõe das informações que são importantes para a sociedade e que vem das organizações. É a empresa mostrando o que fez, faz e pode fazer para as pessoas. Mas o comunicador empresarial não está apenas em empresas privadas. Organizações não-governamentais (ONGs) também necessitam de comunicadores para auxiliar nesta ponte entre empresa/sociedade. E essa ação também faz parte da área de comunicação empresarial.

Tudo é uma questão de público-alvo na comunicação. O jornalista, independente da área de atuação, atende a uma demanda de público, os chamados “stakeholders”. Quando se escreve para uma revista ou se produz um telejornal é preciso pensar para quem está se querendo comunicar. As empresas também possuem seus stakeholders e eles precisam de informações sobre o que acontece dentro e fora da organização. São os seus colaboradores, fornecedores, acionistas e a sociedade para a qual produzem determinado produto ou serviço. Isto quer dizer que para tratar de questões internas e externas temos na empresa os chamados comunicadores empresariais. Profissionais de Relações Públicas, Publicidade e Propaganda e Jornalismo trabalham juntos no alinhamento de estratégias de comunicação nas organizações. Todas as ações são trabalhadas em convergência com os valores e missão organizacional. As notícias institucionais seguem a mesma característica do texto jornalístico e precisa ter clareza, simplicidade e objetividade. Com uma primeira dica e estréia da coluna sugiro a leitura de dois livros: “Comunicação Empresarial” e “Assessoria de Imprensa: como fazer”, ambos de Rivaldo Chinem.

Aguardo sugestões ou dúvidas sobre o tema através do email vanessadasko@gmail.com. Até a próxima!