Portas fechadas. Os bancos estão em greve. A manifestação pelo aumento de salário já dura quatorze dias. Os trabalhadores do setor pedem reajuste salarial e aumento na participação dos lucros e resultados. Segundo o Sindicato dos Bancários, 518 agências estão fechadas. Enquanto isso, a população sofre as conseqüências, com alguns serviços bancários parados. As transações eletrônicas não foram afetadas, mas as contas pagas somente através do caixa e recebimento de salários, que também dependem desse sistema, estão estagnados. Além disso, processos de transferência que excedem o limite no caixa eletrônico não podem ser concretizados.
Reivindicação por melhorias é e sempre foi um direito social, baseado nos princípios da democracia. Mas, é preciso estar atento para algumas das dificuldades que estes tipos de ações podem causar para a sociedade civil, que depende de serviços bancários exclusivos. É preciso apostar em soluções baseadas no diálogo e desenvolvimento, evitando assim que boa parte da sociedade seja prejudicada. Um exemplo: há quem receba o salário por meio eletrônico, não necessitando do uso do caixa. Porém, quem precisa de um cartão para acesso a esse meio não pode fazê-lo em período de greve. O mesmo acontece com quem precisa receber o salário do mês no caixa dos bancos. Uma família que sobrevive com um salário mínimo e tem apenas a opção de receber o salário no caixa pode passar dificuldades nesses primeiros dias do mês ou até que se encerre a greve dos bancos. Neste sentido, poderia ele entrar em greve das necessidades de sua família? Se por um lado, a greve atende uma parte da população, por outro prejudica as pessoas e suas rotinas.
A questão e o grande desafio é gerar a greve sem prejudicar aqueles que tanto dependem do serviço para poderem ao menos receber o seu dinheiro no final do mês ou realizar outros processos específicos. Algumas contas só estão podendo ser pagas por meio de lotéricas, o que está gerando filas e transtornos em toda a cidade. A reivindicação não é em relação à sociedade em geral e sim ao setor exclusivo de bancos e a solicitação de melhorias. Isso não significa tornar a greve algo não percebido pela sociedade, mas apenas fazer-se cumprir a democracia pela democracia.
Vanessa Dasko
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