quinta-feira, 8 de abril de 2010

A comunicação interna como fator de pertence e a pesquisa qualitativa como fator surpreendente


Por Vanessa Dasko
Já se deparou com funcionários desanimados, que não compreendem o plano coorporativo da empresa ou não identificam quais são os resultados gerados pelo seu trabalho diário. Os piores casos são aqueles que os colaboradores não se sentem animados e acabam desistindo de trabalhar nesta ou naquela empresa. O que muita gente desconfia mas não sabe é que a falha do sistema empresarial pode estar nas formas e estratégias de comunicação interna.
Como é a comunicação dentro da sua empresa? Já pensou nisso? Transparência e confiança, duas linhas tão faladas nos valores e missão das instituições estão sendo realmente os focos que regem o trabalho dentro de sua organização? Ou o que realmente gera o valor dentro e fora dela?

Vivendo o dia-a-dia no ramo empresarial e conversando com colegas que também estão no meio, percebo que existem duas grandes vertentes que regem os problemas internos no ambiente de trabalho. Uma delas está entre o detalhe fundamental entre o discurso e ação: o resultado na prática. Começo falando sobre isso porque ação nem sempre resulta do discurso ou vice-versa. Se a empresa fala para fora que faz uma atividade e é exemplar em inovação ela tem que ser excelente para dar o exemplo. Quero dizer que se a empresa tem esse enunciado mas não possui programas voltados para a inovação interna e continua usando papeis para marcar protocolos pode estar sofrendo um desalinhamento entre ação e discurso.

A segunda questão que interfere no dia-a-dia empresarial é a falsa existência e calmaria em relação a um certo fluxo de comunicação interna. As estratégias para alinhar a cultura da empresa com sua melhor forma de comunicar vai desde normas e procedimentos de rotina a noticias sobre a instituição, o que ela está refletindo para fora, o que ela representa na cidade ou país que está inserida. O processo de informação também permeia pelo interesse que tem o próprio colaborador. Mas uma dose dessa característica instigada pela própria empresa pode gerar resultados efetivos para ela e para o seu corpo (os colaboradores que fazem a empresa acontecer). E quais as formas de instigar este interesse? Como uma das soluções eficazes e que tenho percebido em estudos e livros sobre comunicação interna, o negócio e ir em busca de informações no próprio ambiente de trabalho do funcionário.

Afinal, a comunicação interna não é feita somente para gerencias e cargos de diretoria. A maioria da empresa, que são os funcionários de base,  refletem diretamente na imagem que a empresa tem no setor que atua. Ou seja, os colaboradores são os corpos das instituições. E comunicação interna que não atinge os funcionários gera uma doença empresarial comparada ao câncer. Entrar na questão de saúde e ainda mais falar sobre essa doença tão delicada é um tanto quanto constrangedor. Mas quando utilizamos o exemplo apenas como uma forma comparativa notamos que a comunicação mal feita é um câncer empresarial. Isto porque, quando existem focos locais de problema e se ele não é resolvido de uma forma eficaz, com ferramentas que realmente atingem a necessidade de comunicação empresarial, a falha se espalha, o que gera um problemão de alinhamento de ações, discurso e cultura da empresa.

Uma das maneiras de chegar ao funcionário são pesquisas qualitativas. A conversa, as visitas na empresa é uma forma de comunicação que não vai se extinguir: a comunicação entre pessoas de maneira presencial. A pesquisa qualitativa demanda mais tempo e mais trabalho, no entanto os resultados e as sutilezas, detalhes fundamentais que ajudam a entender a realidade cotidiana não se perdem tão facilmente. É preciso primeiro conhecer a empresa e cultura que permeia sobre seus corredores. A partir daí, identificar os meios de comunicação que já existem. Após conhecer essas etapas é possível partir para a prática.

O “como” estamos fazendo

A primeira fase da pesquisa qualitativa abrange a percepção dos funcionários perante as formas de comunicação que já existem na empresa. Se eles funcionam ou não funcionam é ele quem vai dizer e quem está realizando a pesquisa deve ser neutro nesse processo. Neutralidade nesse momento é fundamental, pois as informações repassadas pelo colaborador resultam das percepções que ele tem sobre o serviço que é oferecido pelo departamento de comunicação social. Quem trabalha na área e escreve para boletins informativos internos muitas vezes não reflete na forma como essa comunicação chega aos funcionários e se realmente são elas que geram valor no dia-a-dia.

O que realmente surpreende nesta forma de pesquisa é as diferentes formas que o funcionário nota essas informações. Mapeado os interesses dos veículos de comunicação que a empresa utiliza é hora de verificar a eficiência e eficácia. E porque estes dois lados? Ora, se a eficiência tem a ver mais com o processo e eficácia o foco em resultados, esses são dois pontos importantes a abordar. Comunicação não é só resultado, mas é o meio, o processo. Isto significa que ela é ampla, mas nem sempre clara, objetiva e eficaz. Ou seja, é preciso haver uma completa sinergia entre inicio, meio e fim das informações.

Quando identificamos as percepções que os funcionários tem dois meios de comunicação e em quais momentos ele utiliza essas ferramentas já é possível ter uma boa noção do que funciona e do que deve ser reformulado ou deve ser jogado no lixo. Sem dúvidas a pesquisa qualitativa é uma forma de surpreender os funcionários e de ser surpreendido com tantas idéias que surgem no percurso. Em uma empresa que tem em média 2.500 funcionários, uma pesquisa qualitativa pode demorar em torno de dois meses para ser finalizada. Mas o que compensa o trabalho feito é o meio e o fim. O processo que identifica, organiza e mapeia os dados obtidos é tão interessante quando as ferramentas novas de comunicação que podem surgir. Se você quer tranformar a comunicação dentro da sua empresa está a dica: evite a pressa e foque nos detalhes para ter veículos de comunicação interno com eficiência e eficácia e que não desalinhem mais discurso e ação.

Se os colaboradores se sentiram mais felizes não é possível medir a curto prazo, mas que o sentimento de pertencer a empresa irá aflorar através da participação e espaço para exposição do que realmente ele considera uma ação de valor empresarial, isto não há dúvidas.

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